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Mary e Max: uma amizade diferente | João Oliveira Melo

 por João Oliveira Melo |



Mary e Max: uma amizade diferente (2009) é um filme australiano de animação claymation nos subgêneros humor ácido e drama. O longa foi dirigido e escrito por Adam Elliot, produzido por Melanie Coombs e narrado por Barry Humphries. A obra narra a amizade por correspondência entre Max Horowitz (interpretado pelo ator americano Philip Seymour Hoffman) e Mary Daisy Dinkle (vividas por Bethany Whitmore e Toni Collette) entre as décadas de 1970 até 1990. Mary é uma australiana que vive em um subúrbio com sua família humilde e disfuncional. Ela tem dificuldades de fazer amigos. Max vive em Nova Iorque, é um judeu ateísta de meia-idade diagnosticado com síndrome de asperger (algo que é revelado no desenrolar da história). 

A obra cinematográfica acompanha a infância, a adolescência e a vida adulta de Mary, em paralelo às dificuldades e obsessões de Max. Entre seus rituais estão jogar sempre o mesmo número na loteria, criar novas receitas culinárias, assistir repetidamente à série de animação Noblet, nomear seus peixinhos dourados de Henry, manter uma dieta alimentar exótica, cuidar do gato Hal e de um papagaio, além de colecionar bonecos Noblet. Max vive preso a uma rotina rígida: toma chocolate misturado com cachorro-quente, anota e inventa palavras, dá nomes de cientistas famosos a seus caracóis e frequenta sessões dos Comedores Compulsivos Anônimos, um grupo de autoajuda.

Ao longo da narrativa, Max enfrenta inúmeros obstáculos na tentativa de compreender as pessoas, manter um emprego estável, adaptar-se às mudanças e lidar com as próprias emoções e dos outros a sua volta. Já Mary cresce em um ambiente familiar marcado por fragilidades: seu pai trabalha em uma fábrica de saquinhos de chá, enquanto sua mãe é alcoólatra, tabagista e cleptomaníaca.

A animação não é recomendada para crianças nem para pessoas sensíveis a possíveis gatilhos emocionais, uma vez que a narrativa alterna momentos de tragédia com cenas de humor ácido e aborda temas delicados como religião, sexualidade, suicídio e depressão, entre outros. Pontos interessantes: o filme foi inspirado na vida pessoal do diretor que escrevia cartas para um amigo em Nova York com síndrome de Asperger, o tom de cores é cinzento em Nova York e amarronzado em Mount Waverley. 


Os aspectos positivos da obra residem na valorização da aceitação das imperfeições e fragilidades humanas, no reconhecimento da importância das amizades verdadeiras e na representação sensível de uma pessoa no espectro autista que não entende sua condição como uma doença a ser curada, mas como uma forma de existir que precisa ser acolhida e respeitada pela sociedade.



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Referências

SITO, Tom. ’Mary and Max’: Pen Pals With Problems. Animation World Network, 16 jan. 2009. Disponível em: https://www.awn.com/animationworld/mary-and-max-pen-pals-problems. Acesso em: 30 jan. 2026.






João Oliveira Melo é natural de Recife. É aluno do oitavo período do Curso de Ciências Sociais (UFRPE).