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Trilha sonora | Carlos Monteiro

 por Carlos Monteiro | 



Fotos de Carlos Monteiro

Trilha sonora

 

            Recentemente o banco roxo resolveu utilizar como trilha sonora de seu comercial, a poesia do Manfredini, Tempo perdido; muito provavelmente ele se revirou em Monte Castelo por tamanha heresia.

            O tempo, senhor da razão, nos mostra sua força e, como Caê, é um senhor tão bonito que compõe destinos, ritimiza a vida em tambores, inventa continuamente compassados estribilhos e tem cara de nossos filhos, quem sabe de nossos pais.  

            “Todos os dias quando acordo

Não tenho mais o tempo que passou

Mas tenho muito tempo

Temos todo o tempo do mundo…!”

Temos nosso próprio tempo, pois nós mesmos que o programamos. Façamos desta semana que se inicia, tempos especiais e duradouros, façamos nosso próprio tempo, pois ele é o senhor da razão.

Quando somos crianças queremos que o tempo passe rápido para, como adultos, termos liberdade. Quando crescemos, podemos ver que não é fácil enfrentar tanta responsabilidade e, muitas vezes, gostaríamos de voltar a ser crianças. O tempo não para, é como um trem desenfreado, desembalado ladeira abaixo. Passa por eventos tristes, outros felizes e assim caminha a humanidade.

Resta a nós guardar as boas lembranças de tudo o que vivemos sem nos lamentarmos pelo que já passou e tentar viver melhor sem pensar em quanto tempo nos resta, pois temos o tempo em nossas mãos, mentes e em nosso ecossistema.

Temos o tempo que quisermos ter, temos o tempo que quisermos administrar porque só o amor nos ‘diz’ o que é verdade, só eles – tempo e amor – são capazes de nos conduzir e seduzir falando ou não a língua dos anjos, dos homens, pobres mortais, ou do etéreo visceral.

Quando observamos que sem amar não há amanhã e este tempo tão precioso escorre pelas mãos, quando observarmos que a razão do tempo é sempre mais um capítulo dessa imensa e vasta calha da roda que é o coração, teremos noção dos tempos que queremos contabilizar e cronometrar em nossos amanheceres.



Carlos Monteiro é fotógrafo, cronista e publicitário desde 1975, tendo trabalhado em alguns dos principais veículos nacionais. Atualmente escreve ‘Fotocrônicas’, misto de ensaio fotográfico e crônicas do cotidiano e vem realizando resenhas fotográficas do efêmero das cidades. Atua como freelancer para diversos veículos nacionais. Tem três fotolivros retratando a Cidade Maravilhosa.