por João Oliveira Melo |
"É um Dia Tão Bonito": uma viagem onírica
É um Dia Tão Bonito (It's Such a Beautiful Day) é um filme de animação experimental estadunidense dirigido, escrito e produzido por Don Hertzfeldt. O longa-metragem conta a história de Bill, um homem que sofre de um transtorno neurodegenerativo misterioso. O personagem tem dificuldade de reconhecer e diferenciar rostos, desenvolve memórias falsas, demonstra dificuldade em compreender os outros, sofre de amnésia, vive delírios bizarros e percebe a passagem do tempo em fragmentos. A trilha sonora da produção é composta por música clássica e ambientação de efeitos sonoros.
Hertzfeldt optou por uma proposta visual em que mescla desenhos digitais simples, colagens de fotos, cenários e pessoas reais. O longa é dividido em três capítulos, que inicialmente funcionam como curtas-metragens, mas que também agregam um sentido único. Não é clara a ordem cronológica dos eventos até o arco final do enredo. É impossível de se saber de forma definitiva o que não é alucinação.
A obra é narrada pelo próprio Don Hertzfeldt, uma das vozes mais presentes e a que descreve a maioria dos diálogos. As conversas do protagonista revelam discussões filosóficas e existenciais sobre identidade, livre arbítrio, objetivo de vida, incertezas, percepção da realidade, natureza do universo e mortalidade. Na narrativa há elementos de horror, surrealismo, tragédia, humor ácido, ficção científica e fantasia. As lembranças de seu dia a dia, as animações sem detalhamento e envoltas pela escuridão sugerem um sonho ou a sensação da vida de alguém passando pelos seus olhos.
A mensagem principal aparente é que devemos aproveitar todos instantes e que beleza existe nos mínimos detalhes. O filme é para aqueles que gostam de experimentação, ambiguidade, humor mórbido, melancolia e questionamentos reflexivos.
João Oliveira Melo é natural de Recife. É aluno do oitavo período do Curso de Ciências Sociais (UFRPE).

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