Correspondência inédita entre Mário de Andrade e Wilson Castelo Branco ganha lançamento na AML

por Divulgação |


“O Mestre e o Moço”: correspondência inédita entre Mário de Andrade e Wilson Castelo Branco ganha lançamento na AML

Encontro com a organizadora Maria Cristina Castello Branco propõe um mergulho nos bastidores humanos do modernismo brasileiro a partir das cartas trocadas entre os intelectuais

A Academia Mineira de Letras recebe, no dia 02 de junho, às 19h, a palestra “O Mestre e o Moço – As cartas de Mário de Andrade e Wilson Castelo Branco”, com a organizadora do livro de mesmo nome, Maria Cristina Castello Branco. O encontro, que contará com mediação de João Pombo Barile e Henrique José Castelo Branco, será seguido de lançamento da obra homônima, reunindo correspondências inéditas trocadas entre Mário de Andrade e o imortal da AML Wilson Castelo Branco entre os anos de 1939 e 1944. O evento é gratuito e aberto ao público.

Mais do que documentos históricos, as cartas revelam a construção de uma amizade intelectual marcada pela troca de ideias, pela escuta e pela formação literária. De um lado, Mário de Andrade já consagrado, atravessado por inquietações, cansaços e reflexões sobre o país; de outro, um jovem crítico em busca de orientação e diálogo. Ao longo da correspondência, surgem discussões sobre literatura, modernismo, crítica cultural e identidade brasileira, mas também confidências íntimas sobre solidão, criação artística e os impactos da guerra e do tempo sobre uma geração de intelectuais.

Com organização cuidadosa e reprodução de fac-símiles preservados ao longo de décadas, o livro ilumina não apenas os bastidores humanos do modernismo brasileiro, mas também a intensa circulação de ideias entre Minas Gerais e São Paulo em um período decisivo para a cultura nacional. A publicação oferece ao leitor um retrato sensível de dois intelectuais unidos pela palavra e pela crença na literatura como instrumento de transformação.

A palestra propõe revisitar esse diálogo histórico a partir de um olhar contemporâneo, destacando a relevância das trocas epistolares como espaço de formação intelectual, afeto e pensamento crítico. Em tempos marcados pela comunicação acelerada e fragmentada, a correspondência entre Mário de Andrade e Wilson Castelo Branco ressurge como testemunho da profundidade das relações construídas pela literatura e pela escuta atenta do outro.

O evento é uma iniciativa da AML em parceria com a editora Relicário e acontece no âmbito do “Plano Anual Academia Mineira de Letras – AML (PRONAC 256536)”, previsto na Lei Federal de Incentivo à Cultura, e tem o patrocínio do Instituto Unimed-BH – por meio do incentivo fiscal de mais de cinco mil e novecentos médicos cooperados e colaboradores. O evento tem apoio da Minasmáquinas.


SOBRE OS PARTICIPANTES

Maria Cristina Castello Branco possui formação em Administração e Comércio Exterior. Trabalhou no BDMG e na Prodemge. Organizadora da correspondência de Wilson Castelo Branco & Mário de Andrade.


João Pombo Barile nasceu em 1966, em Campinas, São Paulo. É jornalista desde o final dos anos 1980, tendo atuado em redações das editoras Abril e Nova Cultural. Radicado em Minas Gerais desde o fim da década de 1990, trabalhou nos jornais O TEMPO e Hoje em Dia, e é colaborador do caderno Pensar, do Estado de Minas. Atua como redator e repórter do Suplemento Literário de Minas Gerais.


Henrique José Castelo Branco é formado em Administração, professor universitário e escritor. Trabalhou quase duas décadas na Fundação João Pinheiro e organizou a publicação do livro inédito de Wilson Castelo Branco, O Tema de Natanael.


SOBRE OS AUTORES

Mário de Andrade (1893-1945) foi escritor, poeta, crítico, musicólogo e um dos principais nomes do modernismo brasileiro. Autor de obras fundamentais como Macunaíma e Pauliceia Desvairada, teve papel central na renovação da literatura e da cultura brasileiras a partir da Semana de Arte Moderna. Sua atuação atravessou diferentes áreas, como literatura, música, patrimônio cultural e crítica de arte, sempre marcada pelo interesse na diversidade cultural do Brasil e na construção de uma identidade artística nacional.


Wilson Castelo Branco (1918-1986) foi bacharel pela faculdade de Direito da UFMG na turma de 1943 e atuou como advogado no Sindicato dos Trabalhadores têxteis. Exerceu o jornalismo nos jornais “Diário de Minas”; Redator Chefe da “Folha de Minas”; crítico literário do “Estado de Minas”; grande prêmio Anual de contos da Prefeitura de Belo Horizonte - 1952; co-autor do livro de Ensaios “Mário de Andrade”; autor do Romance “Eu, não - o Outro”, prêmio Cidade de Belo Horizonte, 1966; foi redator chefe da “Revista Fundação João Pinheiro”, revisor do “Diagnóstico da Economia Mineira” em 6 volumes, que foi um grande instrumento para o desenvolvimento de Minas Gerais na década de 70. Durante os governos de Minas Gerais exerceu a função de ghost-writer no Cerimonial do Palácio do Governo para os políticos, redigindo discursos e demais assuntos internos de governo.  Foi editor chefe do Suplemento Literário de Minas Gerais, periódico criado por Murilo Rubião e publicado pelo Diário Oficial da República. Fez parte do movimento literário de Minas Gerais, tendo desenvolvido um trabalho com capacidade e seriedade junto aos escritores da década de 40 com suas importantes críticas literárias.  Além de plantar muitas árvores, também se casou com a companheira (Alba) de uma vida inteira, quando juntos criaram quatro filhos (Mário, Cristina, Regina e Henrique), priorizando sempre o respeito, estudo e amor.



SERVIÇO 

Palestra e lançamento | O Mestre e o Moço – As cartas de Mário de Andrade e Wilson Castelo Branco

com Maria Cristina Castello Branco, João Pombo Barile e Henrique José Castelo Branco

Data: 02/06, terça, às 19h

Local: Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia 1466 - Lourdes) 

Entrada gratuita.