| Créditos: Ana Paula Freitas Valle |
Exposição no Museu do Jardim Botânico propõe imersão artística no Cerrado brasileiro
O Museu do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, recebe a partir de 23 de maio de 2026 a mostra Ser(Tão): Imersão no Cerrado, idealizada pela artista visual Flavia Daudt e pela fotógrafa documental e curadora de arte ecológica Ana Paula Freitas Valle. A exposição transforma os espaços do casarão histórico em uma experiência sensorial e poética dedicada ao Cerrado brasileiro, destacando a beleza, a biodiversidade e a vulnerabilidade do segundo maior bioma do país.
Ocupando cerca de 27% do território nacional, o Cerrado abriga nascentes de importantes bacias hidrográficas e uma das maiores biodiversidades do planeta. Apesar da relevância ecológica, o bioma enfrenta intenso processo de degradação provocado pelo desmatamento, pela expansão da pecuária e pelo cultivo de soja.
Desde 2021, Flavia Daudt e Ana Paula Freitas Valle realizam viagens ao Cerrado para documentar paisagens, fauna, flora e também os impactos ambientais sofridos pela região. A partir desse material, as artistas desenvolveram fotocolagens e instalações conceituais que unem arte, ativismo ambiental e reflexão sobre a crise climática contemporânea.
“Acreditamos no potencial do ativismo artístico para despertar a consciência, gerar novas ideias e fomentar a compreensão e a ação coletiva”, afirmam as idealizadoras da mostra.
A exposição se divide em três espaços principais do museu. Na primeira sala, a instalação Um Cerrado Assim, concebida por Ana Paula Freitas Valle, apresenta grandes fotocolagens de Flavia Daudt impressas em seda e organza, criando paisagens suspensas que convidam o público a atravessar metaforicamente o bioma. O ambiente também conta com esculturas de cupinzeiros produzidas pelo artista Willy Reuter e paredes vermelhas que remetem à tonalidade característica da terra do Cerrado.
Na escadaria do museu, a obra Terra que Guarda ocupa o pé-direito do espaço com uma fotocolagem em grande escala criada por Flavia Daudt. A instalação ganha raízes bordadas pela artista Mirele Volkart e é acompanhada por uma composição sonora assinada por Joe Stevens, construída a partir do som das águas.
Já no primeiro pavimento, a exposição homenageia o joão-de-pau (Furnarius rufus), ave símbolo do Cerrado, com um grande ninho interativo produzido pelo artista Ricardo Siri a partir de galhos provenientes de poda sustentável do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O espaço também reúne um painel com aves do bioma desenvolvido pelo ornitólogo Luciano Lima, permitindo ao público ouvir sons de diferentes espécies por meio de QR code.
Ao longo do percurso, a mostra estabelece relações simbólicas com os elementos terra, água e ar, propondo uma experiência imersiva que combina arte contemporânea, natureza e consciência ambiental.
“Como artista, escolhi trazer um olhar sobre a beleza do Cerrado para destacar a necessidade de preservar este bioma tão valioso, que está sendo destruído”, afirma Flavia Daudt.
A abertura da exposição contará com uma conversa das artistas com o público e leitura de textos de Guimarães Rosa e Cora Coralina, cujas obras dialogam com a paisagem e a natureza brasileira.
Colagem Flavia Daudt
Serviço:
Ser (Tão): Imersão no Cerrado
Museu do Jardim Botânico - Jardim Botânico - Acesso pela Rua Jardim Botânico, 1008
Abertura: 10h às 17h
Visitação: de 23 de maio a 3 de novembro de 2026
Funcionamento: de quinta a terça-feira (fechado às quartas-feiras),das 10h às 18h, com a última entrada às 17h
Entrada gratuita mediante retirada de ingresso pelo site https://jbrj.eleventickets.com/#!/home

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