vou irreverente & abusadamente
fazer um poema
bem viadinho de cropped
e salto alto
fazer o verso rebolar na língua
estilhaçar o 'quê' de madame do poema
causar um estardalhaço
fazer o poema ter a minha cara
malandramente sagaz
rebolar a raba
no beat do poema
o batidão conduz a pulsação
do corpo em devastação
ser um pouco homem-fruta
no embrasamento do som
perceber o movimento possível
na discotecagem
na aparelhagem
no paredão
não dá pra se conter
o quadril saliente com vida própria
o grave vibra na pele
usar o microfone
: fazer-se ouvido na cidade inteira
imaginar o poema batendo quente no peito
esse é o batidão pra mexer o esqueleto.
Santo Antônio
pra Josyara
poema pra cantar aforrozado
pra te ver
preciso d’um milagre acontecer
a cidade é minha inimiga
faço prece pra chegar
tenho pressa.
Vitor Mateus da Silva, poeta, pensa palavra enquanto modo de ocupar e se articular nas encruzilhadas e contradições de ser e estar no mundo. Participou das antologias: "Candeeiros" (ed.Andross, 2022), "Poemas Negros" (ed.Arte da Palavra, 2024), "Vozes Negras em Santana de Parnaíba" (publicação coletiva independente pela Lei Paulo Gustavo, 2024), "Gozo na Alma" (ed. Palavra Ferida, 2025) e "Palavras são Navalhas" (ed. Sertão Pasárgada, 2026). Lançou seu primeiro livro de poemas “O poeta são coisas que não cabem aqui”, pela editora Urutau em 2025. Seu mais recente livro, "Seiva - Poéticas de Prazer e Gozo", saiu em 2026 pela Editora Patuá.


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